Eu venho duma cidade que não cresce
Onde nada de novo aparece,
Que é boa porque não há stress
Só promessas que tudo esquece.
Que eles faziam se desse.
Mas eu sei que a zona é rica
E o futuro não tem preço.
Eu venho d’onde tudo é igual
E não há ninguém igual a mim,
Porque se eu nasci para viver mal
Eu vou viver longe daqui.
Muito gosto de Portugal
O carnaval começa aqui,
Tanto palhaço a agir mal
Com tristezas que eu só me ri.
Nem dá para sonhar acordado,
Não há descanso na pasmaceira
E ao fim do dia ´tou cansado
Imagina uma vida inteira.
Em Faro eu enchi um palco
Em Loulé não veio ninguém
Ou é porque o bilhete é caro
Ou porque mais ninguém vai.
E se hoje eu ´tou isolado
Foi porque eu nunca vi exemplos,
É cada um para seu lado
Nos bons e nos maus momentos.
É tudo a lixar o próximo,
O ócio duma zona corrompida
Enquanto cresco fica menos óbvio,
O sentido dessa vida.
Olha só,
Quarteira está mesmo cheia
É porque agosto chegou
E agora a baixa está vazia
É porque o tempo voou.
Eu sei o preço da minha vida
E a minha alma não dou
Não quero ser uma chance perdida
Quero ser quem a segurou.
Já vi tudo a dar em nada,
Nada para eles é o que eu sou,
Eu vou subir a escada
Que ainda nenhum tentou.
Não posso bazar
Mas se eu quero ter uma chance
não posso ficar.
Então até que o povo dance,
Eu não posso parar
E para que o mundo avance
Então eu tenho que andar.
Que o problema não são eles
O problema somos nós,
O povo que ordene pesadelos
A quem não ouça a sua voz.
Há que juntar a gente
Como o mar se junta à foz
E prender com unha e dente
O que é nosso e que foge.
Que eu não me sinto em casa
Então não vale nada
E se eu abrir a asa
Aqui não muda nada.
Junta a comunidade
Faz algo de verdade,
Mostra a quem manda na gente
Que a gente tem incomodado.
E o povo deixe de ser parvo
Já só liga à bola
Nem se importa com o fado.
Eu sei que hoje a Amália chora
E Camões está revoltado,
Porque onde o Ronaldo mora
É o que tem interessado.
Então não me façam de parvo
Que hoje eu tenho um sonho
E nem por nada o largo.
Hoje é cada um por si
Mas eu não vou ficar à espera
se se esquecerem de mim.
És a faísca da mudança
Parte importante desse dança
Não posso bazar,
Mas se eu quero ter uma chance
não posso ficar.
Então até que o povo dance
Eu não posso parar
E para que o mundo avance
Então eu tenho que andar.
Autor: Pedro Colaço Manuel, aluno da turma I do 11º ano
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