Escola Secundária de Loulé distinguida em Concurso do jornal «PÚBLICO”
O suplemento cultural «Orpheu Três» do jornal escolar «Bússola Estudantil» foi distinguido no Concurso Nacional de Jornais Escolares 2024/25, com o Prémio Melhor Design Gráfico. Este prémio, para além da distinção de mérito, terá uma componente monetária no valor de 500 euros.

O Concurso de Jornais Escolares do jornal «Público» é uma iniciativa que promove o jornalismo escolar e o desenvolvimento do pensamento crítico entre os estudantes. Tendo tido a sua primeira edição em 1991/92., o concurso tem como objetivo incentivar as escolas a produzirem os seus próprios jornais, seja em formato impresso ou digital, dando voz à comunidade educativa e estimulando a criatividade, a escrita e o trabalho em equipa.
O jornal escolar “Bússola estudantil” é um projeto já com um grande historial na nossa escola, nascido na Biblioteca Escolar, que visa trabalhar competências nos campos da produção de texto, imagem e som, e da literacia dos média. O Jornal funciona com contribuições da comunidade escolar (alunos, professores e funcionários) e conta com a significativa colaboração dos membros do Clube de Jornalismo, coordenado pela professora Cátia Silva.
A revista “Orpheu Três” é um projeto de experimentação literária e artística, inspirado na revista “Orpheu”, publicação que assinalou o início do movimento modernista no nosso país, e que apenas teve dois números publicados.

O projeto nasceu da iniciativa de duas alunas, Beatriz Caetano e Joana Martins, da turma 12.º I do ano letivo 2024/25, que desenvolveram a ideia base, e contou com a coordenação da professora Inês Mendes, do professor bibliotecário Júlio Ribeiro e da artista-residente Marta La Piedad.
Combinando imagens e textos originais, o grafismo do Tomo A da revista foi desenvolvido por Júlio Ribeiro, que além de professor bibliotecário da ESL é também o coordenador da equipa do jornal escolar “Bússola Estudantil”.
Numa fase inicial, foi concebido um arquivo de colagens da turma 12.º I, do Curso de Línguas e Literaturas, feitas a partir de imagens icónicas do Modernismo e de fragmentos textuais de Almada Negreiros, Agustina Bessa-Luís e Fernando Pessoa, numa Oficina de Experimentação Literária e Plástica coordenada pela professora Inês Mendes e pelo artista plástico Ivo Gonçalves, da Associação Policromia. A este arquivo juntou-se um conjunto de fotografias de obras de pintura, escultura e instalação de artistas consagrados, captadas pela aluna Cheila Lagrouch, do Curso Profissional de Artes e Multimédia, durante uma visita ao acervo da coleção permanente da Fundação Calouste Gulbenkian, e pela professora de Português, numa visita à exposição Objeto, Corpo e Espaço, do Museu de Arte Contemporânea do Centro Cultural de Belém. Ivo Gonçalves, na qualidade de artista do Plano Nacional das Artes, ofereceu ainda à revista um conjunto de desenhos de plantas, animais e figuras humanas que conferiram espontaneidade e leveza às suas páginas.
Paralelamente, instigados pela artista residente Marta La Piedad, alunos de diversas turmas foram convidados a escrever para a revista, explorando temas e géneros à sua escolha. Esta liberdade temática e formal assegurou autenticidade aos textos, mas não dispensou um trabalho de reescrita, feito em proximidade com cada jovem autor. A primeira edição da revista contou ainda com um poema e uma colagem de Martim Santos/Lágrima, artista convidado da cidade de Loulé ligado à Slam Poetry.
Todos os elementos visuais foram plasticamente trabalhados pelo editor com técnicas como a alteração cromática e de contraste, a desfocagem, o recorte, a sobreposição e a recombinação manual e digital de elementos.
Esta linha gráfica trouxe humor e autoironia a uma publicação de temperamento adolescente, com textos saídos de gavetas secretas, marcados por uma forte densidade emocional ou um pendor político e contestatário inspirado pelo tempo presente.
Perante a distinção que tanto nos honra, resta o desafio: Vamos lá fazer mais! Venham daí os tomo B e C!
Texto de :
Inês Mendes, Júlio Ribeiro e Marta La Piedad
Coordenadores da “Orpheu Três“
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