Bússola Estudantil

Jornal escolar da Escola Secundária de Loulé

A morte mora em muitas casas

89,3 milhões! Este é o número de pessoas que em 2021 tiveram de abandonar as suas casas, à procura de um refúgio, de um local seguro. Pessoas tal como nós! Pessoas que têm olhos, pessoas que têm ouvidos, boca, nariz. Pessoas que tal como nós são seres sentimentais, seres racionais… Mas que têm uma grande diferença: nasceram num local que não lhes confere segurança…

Estas pessoas são os refugiados e podem vir dos mias diversos locais e ter as mais diversas histórias. Por exemplo, na Venezuela, o motivo que leva as pessoas a escapar é maioritariamente económico, enquanto na Birmânia, esse motivo é ético. Também estamos familiarizados com motivos religiosos, como vimos na Síria e no Afeganistão.

Facto é que todas essas pessoas têm um objectivo comum: escapar! Existem inúmeras rotas possíveis, mas são todas tão injustas… Um refugiado da Coreia do Norte pode escolher fugir pela China, onde abunda o tráfico humano, ou tentar cruzar a zona desmilitarizada com a Coreia do Sul, uma das fronteiras mais perigosas do mundo. Um refugiado sírio pode tentar entrar na União Europeia pela Turquia, onde muito provavelmente será barrado e ficará alojado num campo de refugiados. Pode também tentar entrar pelo mar da Grécia, em pequenas embarcações nas quais não estará muitos metros acima dos cadáveres de companheiros, que tal como eles, tentaram a proeza da liberdade.

Eu vou assumir uma coisa, vou assumir que todos nós temos uma casa, e que essa casa tem porta. Umas são maiores, outras mais pequenas, umas têm casa de banho no quarto… Mas reparem que somos nós que escolhemos quem entra em nossa casa. Porque quando abrimos a sua porta entramos na nossa zona de segurança. A partir dali já ninguém nos pode tocar, já ninguém nos pode fazer mal… Os refugiados não têm essa opção, porque a fome pode atacar, pode entrar um homem armado em casa, pode cair-lhes uma bomba em cima. Por esse motivo fogem, para irem em busca dessa tal “porta de casa”.

89,3 milhões, é o número de pessoas que têm como companheira de casa a própria morte!

Discurso apresentado no Speak Out Challenge 2022/23 por Leonardo Cândido

Loading

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *