Quebrar o tabu: ansiedade
A ansiedade é uma emoção frequente em iversas pessoas e é totalmente normal senti-la devido ao stress que estamos sujeitos diariamente. A maioria de nós experiencia esta emoção regularmente no nosso dia a dia. É tipicamente associada a sentimentos de tensão, preocupação, insegurança e pressão quer seja escolar ou vinda de outros contextos.
Existem também diversos tipos de ansiedade nomeadamente: ansiedade generalizada, ansiedade social, síndrome de pânico (caracterizado por ataques de pânico e medo espontâneos, repentinos e inesperados), agorafobia (caracterizada pelo medo e ansiedade em situações em que a pessoa não se considera segura, existe uma espécie de insegurança desproporcional ao perigo real), TOC (transtorno obsessivo compulsivo) e stress pós-traumático.
É importante que a ansiedade não seja encarada como algo vergonhoso ou a esconder, pois é algo perfeitamente normal. Estatísticas apontam que mais de 60% dos jovens estudantes do 2º, 3º ciclo e ensino secundário afirmam ter dificuldades em gerir a sua ansiedade. É necessária uma maior consciencialização por parte de amigos, professores, funcionários e familiares dos jovens para que estes tenham as bases para lidar e superar estas dificuldades. Se tens um amigo, ou um familiar, que sofre de ansiedade é importante que lhe perguntes como o podes ajudar durante esses momentos. Pode ser difícil abrirmo-nos e falar com alguém, por isso, é sempre importante que oiças, respeites e apliques o que a pessoa diz.
A escola é um dos fatores que mais contribui para a ansiedade dos adolescentes e, por isso, consideramos que é importante os professores terem uma maior consciência e preocupação, tirarem um tempo para aprenderem mais sobre esta temática e como podem ajudar os seus alunos. Perguntámos aos nossos alunos o que eles gostariam que os professores fizessem para os ajudar e recebemos respostas valiosas.
Vários alunos disseram que os professores deveriam oferecer métodos de avaliações alternativas às apresentações orais (visto que é um dos fatores que mais despertam ansiedade nos alunos). Muitas vezes os professores mostram-se hesitantes em oferecer estes métodos alternativos por acharem que os alunos simplesmente não querem fazer o trabalho, a verdade é que não é necessariamente o caso. Sugerir que um aluno faça um trabalho PowerPoint, ou Word, ou até mesmo sugerir que ele grave um vídeo para que o professor possa ver, sem forçar o aluno a falar em frente da turma toda. É importante que haja um diálogo entre alunos e professores para que se possa encontrar a solução perfeita para ambos os lados.
É importante também reforçar que aulas normais podem despertar crises ou aumentar a ansiedade do aluno e, nestes momentos, é importante que o professor, caso repare a ocorrência, aja de modo discreto sem expor o aluno a toda a turma, perguntar ao aluno se precisa de algo ou se necessita de sair da sala de aula. No final da aula, se possível, o professor pode tentar iniciar uma conversa sobre como o pode ajudar durante o resto do ano. Realço mais uma vez, a importância do diálogo entre professor e aluno.
Se tens um amigo que lida com ansiedade é importante que não uses a típica frase “isso já passa”, nem quaisquer outras frases otimistas para o tentar animar; isto pode parecer que estás a menosprezar a situação e os sentimentos da pessoa, como se fosse algo simples de ser superado. Ouvir mais do que falar e demonstrar preocupação genuína são coisas que podem ajudar. Num momento de crise pergunta ao teu amigo se quer companhia para um lugar mais calmo; exercícios de respiração são essenciais, visto que durante um ataque de ansiedade é bastante comum hiperventilar. Garante ao teu amigo que está seguro e que ficarás com ele o tempo necessário. Durante este tempo é importante que mantenhas a calma e a transmitas, tentando evitar reações agressivas ou movimentos bruscos. Procura formas de distrair o teu amigo dos sintomas usando alguma técnica que conheças ou mesmo a tentar meter conversa. O essencial é respeitar o tempo da pessoa e garantir-lhe que está segura.
Uma das técnicas mais conhecidas é a técnica do 5, 4, 3, 2, 1; esta técnica não é nada mais do que um truque que para acalmar os pensamentos e ajudar a focar noutro lugar e, basicamente, consiste em olhar para o ambiente e ao seu redor e nomear:
- 5 coisas que se consegue ver;
- 4 coisas que se consegue sentir;
- 3 coisas que consegues ouvir;
- 2 coisas que consegues cheirar;
- 1 coisa que consegues saborear.
Esta técnica permite que a pessoa se distraia dos sintomas, trabalhando a concentração e ajudando-a a focar-se no presente e no que a rodeia. Durante um ataque de ansiedade ou quando se está muito ansioso, é comum prestar demasiada atenção ao próprio corpo e aos sintomas da crise, o que pode levar a mais pânico. Com esta técnica, o foco muda do corpo para o ambiente e os sintomas tendem a diminuir.
É importante também que saibas lidar com isto sozinho, caso algum dia te encontres desacompanhado. Uma das coisas mais importantes é saberes identificar quando estás prestes a ter uma crise, existem sinais que te podem ajudar:
- tremer as pernas/mãos;
- suar em excesso;
- garganta seca;
- estar ofegante;
- enjoo;
- sentir medo subitamente;
- dificuldade em assimilar pensamentos;
- tonturas.
Durante uma crise, ir para um local mais calmo e silencioso pode ajudar bastante e praticar exercícios de respiração também (existem muitos vídeos no youtube e gifs em todas as redes sociais, incluindo o WhatsApp, que te podem auxiliar durante o exercício). Encontrares uma parede fria ou agarrar uma garrafa de água fria, ou até mesmo gelo, pode ajudar a trazer-te ao momento presente e distrair-te dos sintomas ou do que te causou o ataque. Estudos provam que repetir um mantra também pode ajudar, estes mantras podem ser frases que gostes de um filme, de uma série ou até mesmo algo que leste na internet. Alguns exemplos:
- eu sou paciente, forte e tranquilo;
- eu não sou os meus pensamentos nem sentimentos;
- tudo é o oposto do que parece ser e nada é o oposto do que parece ser;
- O que será, será;
- Eu estou calmo, eu estou seguro, eu sou suficiente.
Repetir mantras calmamente intercalando com exercícios de respiração permite acalmar a mente, controlar a ansiedade, trazer foco, aumentar o equilíbrio emocional e melhorar a respiração, mas, o mais importante de tudo, é que nunca tenhas medo ou vergonha de pedir ajuda. Não estás sozinho ou, pelo menos, não tens de estar.
Artigo por Ema Sousa (12.º I, Clube de Jornalismo da ESL), com auxílio da psicóloga Rute Martinho.



gostei bastante, realmente ajudou me a entender melhor como lidar e como ajudar, muito obrigada pelo artigo:)
Agradecemos a sua opinião.