Bússola Estudantil

Jornal escolar da Escola Secundária de Loulé

Terramotos em Portugal: estaremos preparados?

Portugal encontra-se localizado numa zona de risco moderado no que toca a atividade sísmica, sendo as zonas com maior risco sísmico os distritos de Lisboa, Setúbal, Faro, a costa alentejana e arquipélago dos Açores.
Porém, apesar deste risco, apenas quando ocorrem sismos com uma magnitude considerável é que nos lembramos do perigo que corremos. Só nesses momentos vêm os especialistas falar sobre a condição de Portugal, principalmente relacionada com infraestruturas como hospitais, quartéis e pontes, e edificações como as casas.
Mas será que estamos numa situação tão má?

A CONSTRUÇÃO ENTRE O SISMO DE 1755 E OS DIAS DE HOJE
Qual a eficácia das estruturas pombalinas e quais os tipos de método construtivos que são usados na atualidade?
As famosas gaiolas pombalinas [1] , que eram colocadas nas alvenarias e as estacas que eram colocadas nas fundações dos edifícios, são estruturas que foram desenhadas para aumentar a resistência dos edifícios em caso de sismo. Estas estruturas foram utilizadas até ao início do séc. XX.
O facto de os edifícios pombalinos serem maioritariamente feitos de madeira, e a sua antiguidade, levam a questionar se a sua eficácia sofreu danos. Porém, é possível afirmar que não houve alteração de eficácia na estrutura na maioria dos casos, uma vez que as gaiolas pombalinas estão embutidas na alvenaria e, por isso, não sofrem alterações causadas pela humidade, dado que a sua madeira não apodrece.
Já as madeiras utilizadas nas lages, e as estacas em que está assente a baixa de Lisboa, tem risco de apodrecimento, pois sofrem variações de humidade devido à humidade presente no ar e à alteração do nível do rio Tejo. Contudo têm sido realizadas manutenções de maneira a assegurar a sua conservação.

Olhando para a atualidade existem mecanismos antissísmicos em vigor.
A legislação portuguesa desde 1958 que prevê a obrigatoriedade do cálculo estrutural de resistência sísmica, sofrendo alterações em 1967 e 1983. E desde 2020, o método utilizado para o cálculo das infraestruturas e edificações é o Eurocódigo 8.[2][3][4][5]

Contudo, apenas a partir da implementação do Eurocódigo passou a ser necessário o estudo de vulnerabilidade sísmica da estrutura a adoptar.[6][7]
Todavia em Portugal não é comum o uso de estruturas antissísmicas, como câmaras de água ou molas nas fundações.

ENTÃO, PORQUE HÁ RISCO DE COLAPSO DAS ESTRUTURAS?
Há dois grandes motivos, o primeiro pode ser resumido a uma conclusão feita pelo Professor João Azevedo, do Instituto Superior Técnico de Lisboa, que disse “O problema é quando as coisas não são bem feitas.”, uma vez que muita da construção nacional foi feita ilegalmente, com fortes possibilidades de nunca terem sido feitos cálculos de resistência sísmica. [1]
O outro motivo é que cada edifício tem uma frequência de vibração, que está relacionada com a flexibilidade da estrutura, assim se ocorrer ressonância e as ondas sísmicas possuírem a mesma frequência que o edifício, este entrará em colapso, mesmo que a estrutura esteja bem projetada e construída.

O que devemos fazer?
A sensibilização dos cidadãos é a principal ferramenta que ajuda na prevenção.
Apesar de o governo organizar campanhas de sensibilização, como por exemplo o projeto “A TERRA TREME” [8], que maioritariamente alerta para o risco da ocorrência deste tipo de catástrofes junto da população juvenil, a ação governamental falha no que toca à sensibilização e informação a nível das faixas etárias adultas, e na implementação e fiscalização da construção segura que é delegada sobretudo aos poderes locais. Assim, o papel de cada cidadão em informar e incentivar a procura de informar sobre o tema é de elevada importância.
A nível de estruturas mais antigas devem fazer-se estudos de vulnerabilidade sísmica e, em caso de risco, reforçar a estrutura. Pelo que o governo, para promover ª segurança em caso de sismo, poderia dar incentivos monetários de modo que cada proprietário pudesse tomar as providências necessárias.
A nível de construções recentes de grande dimensão, principalmente infraestruturas, estas deveriam possuir sistemas antissísmicos, diminuindo o risco de que estas estruturas fundamentais, no pós-catástrofe, fiquem inoperacionais. Neste caso, pouco podemos fazer, senão criticar os governos pela sua inação.

CONCLUSÃO
As construções recentes foram projetadas para resistir em caso de terramotos. Assim sendo, os pontos chave que devem ser trabalhados são o reforço estrutural de edifícios antigos e sensibilização e educação da população.

[1] – Gaiola Pombalina (Instituto Superior Técnico)
[2] – Proteção sísmica de edifícios (legislação e datas)
[3] – Avaliação da vulnerabilidade de estruturas – (LNEC)
[4] – Portaria n.º 302/2019
[5] – Legislação em vigor (Sociedade Portuguesa de Engenharia Sísmica)
[6] – Eurocódigo 8
[7] – Avaliação da vulnerabilidade  (Sociedade Portuguesa de Engenharia Sísmica)
[8] – A Terra Treme


Texto de:
Martim Martins
12.º C | Clube de Jornalismo da ESL

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