O desespero nas vidas humanas

Ao longo da História, a Humanidade já viveu as mais variadas situações de intenso desespero que constituem, na minha opinião, as mais dramáticas e interiormente revoltantes vivências que algum ser humano pode terrenamente experienciar. Considero que, neste sentido, dessa imensa multiplicidade de traumáticas situações de desespero que muitas pessoas infelizmente já tiveram de presenciar, as mais revoltantes, abaladoras e incontestavelmente mais marcantes vivências tendem a relacionar-se a períodos de grandes ou inesperadas guerras, bem como a períodos ditatoriais, nos quais sobressaem a limitação das liberdades públicas e sociais e a submissão à autoridade tiranicamente imposta sobre a sociedade.
No caso das terríveis guerras que, até aos dias de hoje, têm vindo a marcar as vidas das pessoas, acho evidente o carácter desesperante que a esses conflitos pode ser associado. De facto, a catástrofe humanitária aí presente é abaladora para qualquer ser humano: desde ar incessáveis mortes, à destruição intensa a elas associada, passando pela intensa falta dos produtos necessário à subsistência humana, tudo isto concorre para a natureza essencialmente destrutiva que as guerras possuem ao assolarem as vidas humanas. Além disso, o facto de muitos desses conflitos surgirem inesperadamente, intensifica o desespero vivido pelas populações que frequentemente veem as suas famílias separadas e, muitas vezes, permanentemente. É o caso da recente guerra na Ucrânia, na qual toda a morte, destruição e falta de produtos essenciais resultou em desespero e, também, pelo carácter inesperado da ofensiva, concorreu para a separação das famílias, gerando-se ainda mais sofrimento.
Por outro lado, no que concerne às questões ditatoriais, considero que estas conduzem necessariamente ao desespero dos cidadãos, especialmente pela repressão à crítica ao Regime que nelas se faz sentir. Aí, as populações são obrigadas a aceitar as tremendas repressões e atos desumanos que a essas formas de regulamentação do Estado costumam estar associadas. A terríveis condições em que as pessoas tendencialmente vivem (mesmo em questão económico-social, devido ao tendencial fechamento dos mercados) têm então, nesses casos, de ser encaradas sem crítica nem revolta contra o poder instituído, o que torna as pessoas essencialmente escravas dessas autoridades opressoras. De facto, todo o desespero a estas situações ditatoriais associadas tende mesmo, em determinadas situações, a passar todo e qualquer limite ético: foi o caso das perseguições vividas na Alemanha Nazi a determinados grupos étnico-culturais, entre outros, que para sempre marcaram esse período negro da História da Humanidade e, especialmente, os sobreviventes dessa terrível realidade. Quanto à repressão de liberdades e direitos, acho desolador pensar que, até mesmo em Portugal, durante o Estado Novo, – como evidencia o poema “Dies Irae” – a nossa sociedade teve também de enfrentar tais traumáticas ofensas contra a Dignidade da pessoa humana.
Em jeito de conclusão, reconheço que, efetivamente, ao longo de sua História, imensas foram as situações desesperantes, traumáticas e manifestamente marcantes que muitas pessoas tiveram que relutantemente experienciar ao longo das suas vidas, impactando-as para o resto dessas mesmas vidas.
Autor: Tiago Andrade (aluno da turma C do 12.º ano)
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