{"id":2306,"date":"2024-01-15T10:00:00","date_gmt":"2024-01-15T10:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/erasmus-esl.pt\/BussolaEstudantil\/?p=2306"},"modified":"2024-01-16T16:29:18","modified_gmt":"2024-01-16T16:29:18","slug":"sera-possivel-conhecer-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/erasmus-esl.pt\/BussolaEstudantil\/blog\/2024\/01\/15\/sera-possivel-conhecer-ii\/","title":{"rendered":"&#8220;Ser\u00e1 poss\u00edvel conhecer?&#8221; (II)"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"765\" src=\"https:\/\/erasmus-esl.pt\/BussolaEstudantil\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/E-possivel-conhecer-2-1024x765.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2372\" srcset=\"https:\/\/erasmus-esl.pt\/BussolaEstudantil\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/E-possivel-conhecer-2-1024x765.png 1024w, https:\/\/erasmus-esl.pt\/BussolaEstudantil\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/E-possivel-conhecer-2-300x224.png 300w, https:\/\/erasmus-esl.pt\/BussolaEstudantil\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/E-possivel-conhecer-2-768x574.png 768w, https:\/\/erasmus-esl.pt\/BussolaEstudantil\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/E-possivel-conhecer-2.png 1370w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Continua\u00e7\u00e3o de:<br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/erasmus-esl.pt\/BussolaEstudantil\/blog\/2024\/01\/12\/sera-possivel-conhecer\/\" target=\"_blank\">https:\/\/erasmus-esl.pt\/BussolaEstudantil\/blog\/2024\/01\/12\/sera-possivel-conhecer\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Neste caso, atendendo-se \u00e0 defini\u00e7\u00e3o de \u2018Conhecer\u2019 dada, o problema do presente Ensaio poderia, ent\u00e3o, tamb\u00e9m, ser explicitado pela seguinte Formula\u00e7\u00e3o: \u201c Ser\u00e1 poss\u00edvel o ato de ades\u00e3o de um sujeito a uma formula\u00e7\u00e3o do seu intelecto que expressa algo que dada coisa \u2018realmente\u2019 \u2018\u00e9\u2019 ? Uma vez apresentadas as referidas Formula\u00e7\u00f5es que exteriorizam o que \u2018idealmente\u2019 \u2018\u00e9\u2019 o \u2018Ser Ideal\u2019 que ser\u00e1 associado ao termo \u2018Conhecer\u2019 ao longo do presente Ensaio, para que efetivamente se explicite em que sentido o Problema formulado foi colocado, tendo em vista \u00e0 sua resolu\u00e7\u00e3o, \u00e9 ainda da compet\u00eancia das presentes Considera\u00e7\u00f5es Gerais Iniciais a explicita\u00e7\u00e3o do sentido que o termo \u2018Poss\u00edvel\u2019 toma na formula\u00e7\u00e3o do Problema apresentado.<\/p>\n\n\n\n<p>De facto, poderemos perguntar se \u201cSer\u00e1 poss\u00edvel \u2018Conhecer\u2019?\u201d no mesmo sentido em que nos perguntamos se \u201cSer\u00e1 poss\u00edvel um \u2018Cubo Esf\u00e9rico\u201d?\u201d, isto \u00e9, adotando o termo poss\u00edvel numa primeira ace\u00e7\u00e3o enquanto \u201cpossibilidade da exist\u00eancia desse \u2018Ser\u2019 na \u2018Realidade\u2019 \u201d; sendo esta possibilidade corroborada se a \u2018Realidade\u2019 do referente deste termo, o \u2018Ser Conhecer\u2019, n\u00e3o acarretar por si s\u00f3 a viola\u00e7\u00e3o dos \u2018Princ\u00edpios do Ser\u2019 (expressos primordialmente sobre a forma dos tr\u00eas Princ\u00edpios fundamentais da L\u00f3gica Cl\u00e1ssica) a que todo o \u2018Ser Real\u2019 de todo o \u2018Objeto da Realidade\u2019, enquanto \u2018Ser\u2019, respeita. Por exemplo, o caso do \u2018Cubo Esf\u00e9rico\u2019 \u00e9 um claro exemplo de um \u2018Ser Ideal\u2019 imposs\u00edvel na \u2018Realidade\u2019 na medida em que, se um dado \u2018Objeto da Realidade\u2019 \u2018substancialmente\u2019 \u2018fosse\u2019 \u2018Cubo\u2019 e, simultaneamente, \u2018\u2018fosse\u2019 \u2018Esf\u00e9rico\u2019, ent\u00e3o esse \u2018Objeto da Realidade\u2019 \u2018seria\u2019 \u2018Cubo\u2019 e \u2018n\u00e3o seria\u2019 \u2018Cubo\u2019 (na medida em que, pela sua Defini\u00e7\u00e3o, se algum \u2018Objeto da Realidade\u2019 \u2018realmente\u2019 \u2018\u00e9\u2019 \u2018Esf\u00e9rico\u2019, ent\u00e3o esse \u2018Objeto da Realidade\u2019 \u2018realmente\u2019 \u2018n\u00e3o \u00e9\u2019 \u2018Cubo\u2019), o que implicaria uma clara viola\u00e7\u00e3o do Princ\u00edpio da N\u00e3o-Contradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 com base nesta primeira ace\u00e7\u00e3o do termo poss\u00edvel que o Problema formulado \u00e9 colocado. Neste caso, o termo poss\u00edvel est\u00e1 colocado numa segunda ace\u00e7\u00e3o da qual deriva o verdadeiro sentido no qual o Problema apresentado foi formulado. Poss\u00edvel, aqui, evidencia a \u201cpossibilidade da concretiza\u00e7\u00e3o do ato de \u2018Conhecer\u2019 em algum \u2018Sujeito\u2019 da \u2018Realidade\u2019 \u201d. \u00c9, assim, no sentido de questionar quanto \u00e0 possibilidade de algum \u2018Sujeito\u2019 da \u2018Realidade\u2019 concreto efetivamente \u2018Conhecer\u2019, e, em particular a \u2018Pessoa Humana\u2019, que o Problema em causa foi formulado.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, \u00e9 de evidenciar que antes de poder fazer incidir a quest\u00e3o sobre um outro qualquer \u2018Sujeito\u2019 da \u2018Realidade\u2019 terei que a fazer incidir sobre a minha pr\u00f3pria \u2018pessoa\u2019. De facto, se n\u00e3o me for poss\u00edvel \u2018Conhecer\u2019, ent\u00e3o jamais \u2018conhecerei\u2019 se um outro qualquer \u2018Sujeito\u2019 da \u2018Realidade\u2019 efetivamente pode \u2018Conhecer\u2019, ou mesmo se existe um qualquer outro \u2018Sujeito\u2019 na \u2018Realidade\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao voltar a quest\u00e3o \u00e0 minha \u2018pessoa\u2019, por\u00e9m, \u00e9 evidente no entanto que tamb\u00e9m contra mim terei que fazer incidir uma determinada sequ\u00eancia de quest\u00f5es: terei, primeiramente, que determinar com exatid\u00e3o se \u2018realmente\u2019 \u2018existe\u2019 na \u2018Realidade\u2019 um \u2018Ser Eu\u2019; de seguida, no caso de resposta afirmativa, terei que proceder a uma investiga\u00e7\u00e3o no sentido de determinar se a \u2018natureza\u2019 desse \u2018Objeto da Realidade\u2019 no qual \u2018substancialmente\u2019 habita o meu \u2018Eu\u2019 possui efetivamente a pot\u00eancia de \u2018Conhecer\u2019 algo.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 de seguida, para uma resposta mais integral ao Problema formulado, procurarei dirigir a investiga\u00e7\u00e3o para o exterior, procurando \u2018Conhecer\u2019 outros \u2018Objetos da \u2018Realidade\u2019 e, neste sentido, se algum destes possui a efetiva pot\u00eancia de se concretizar como \u2018Sujeito Cognoscente\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Teses Hist\u00f3ricas de resposta ao Problema<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De facto, ao longo da Hist\u00f3ria da Filosofia, os fil\u00f3sofos procuraram responder a se de facto n\u00f3s, Sujeitos Humanos, possu\u00edmos ou n\u00e3o efetivamente alguma Faculdade ou conjunto de Faculdades tal que nos permitisse, mediante uma dada garantia, constituir uma Formula\u00e7\u00e3o que expressasse algo que dado Objeto da Realidade realmente \u00e9 de modo tal que permitisse a ades\u00e3o do referido Sujeito a essa Verdade.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste sentido, podemos distinguir primeiramente dois tipos de abordagem de resposta ao problema: uma primeira, na qual os fil\u00f3sofos procuraram tal Formula\u00e7\u00e3o garantidamente Verdadeira unicamente ao n\u00edvel da Faculdade da Raz\u00e3o; e, uma segunda, na qual os fil\u00f3sofos, pela falha desta primeira abordagem, se viraram para a Experi\u00eancia Sens\u00edvel, ou Sensibilidade, procurando, somente a partir desta, constituir efetivo Conhecimento acerca da Realidade. Ora, obviamente, ambas estas abordagens falharam.<\/p>\n\n\n\n<p>Por um lado, ao n\u00edvel da primeira abordagem, os fil\u00f3sofos procuraram essencialmente formar Sistemas do Saber recorrendo unicamente \u00e0 Raz\u00e3o Intuitiva, \u00e0 Raz\u00e3o Indutiva ou \u00e0 Raz\u00e3o Dedutiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns deles afirmam que a Raz\u00e3o Intuitiva \u00e9 pass\u00edvel de fornecer ao Sujeito Cren\u00e7as B\u00e1sicas ou Fundacionais. Pelo mero Pensamento \u2013 considerado enquanto Atividade e enquanto concebedor de Seres Ideais \u2013, afirmam eles, seria poss\u00edvel concluir, pelas simples Defini\u00e7\u00f5es desses Seres Ideais racionalmente concebidos, ou mesmo pela pr\u00f3pria atividade do discorrer racional das ideias, determinados enunciados Verdadeiros. Ora, nada mais falso.<\/p>\n\n\n\n<p>No primeiro caso, afirmam que seria poss\u00edvel, simplesmente pelas Defini\u00e7\u00f5es de Seres Ideais, concluir a Realidade desses Seres, simplesmente por uma Intuitiva Necessidade, isto \u00e9, por uma necessidade de concretiza\u00e7\u00e3o real que adviria dessas pr\u00f3prias Defini\u00e7\u00f5es (ou seja, da ideal Natureza desses Seres). Por\u00e9m, tais necessidades s\u00f3 se concretizariam de facto, se, primeiramente, existisse algum Objeto da Realidade que substancialmente fosse esse Ser. Um Ser Ideal que exige a sua exist\u00eancia apenas nos leva a crer que, se esse Ser de facto se manifestar num dado Objeto da Realidade, ent\u00e3o ele exige\/implica\/causa, per si, a exist\u00eancia a si mesmo. Assim, tal Serpressupondo a sua Realidade, apenas se concretizaria se, primeiramente, algo tivesse gerado a sua exist\u00eancia num dado Objeto da Realidade (e, a partir da\u00ed, pela sua Natureza, ele fosse causa sui), ou se esse Ser existisse num dado Objeto da Realidade desde toda a Eternidade. Naturalmente, este tipo de Argumento Intuitivo, os Argumentos Ontol\u00f3gicos, foram utilizados, primordialmente, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Prova da Exist\u00eancia de Deus, por pensadores como Descartes ou Santo Anselmo, por exemplo, partindo da no\u00e7\u00e3o de Perfei\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca ao Deus Crist\u00e3o. De modo geral, para eles, a Exist\u00eancia seria uma propriedade intr\u00ednseca ao Ser Ideal Deus que eles concebiam, visto este, pela sua Natureza, ser Perfeito. Por\u00e9m, da\u00ed conclu\u00edam que a sua no\u00e7\u00e3o de Deus necessariamente realmente existiria enquanto Ser Real, o que, pelo j\u00e1 explicitado, n\u00e3o corresponderia por si s\u00f3, necessariamente, \u00e0 Realidade. Da Defini\u00e7\u00e3o desse Ser Ideal perfeito apenas poder\u00edamos concluir que, se esse Ser realmente existisse num dado Objeto da Realidade, ent\u00e3o seria Causa Sui. Por\u00e9m, \u00e9 de notar que estes Argumentos Ontol\u00f3gicos n\u00e3o s\u00e3o v\u00e1lidos para qualquer outro Ser que queiramos idealmente conceber como contendo, na sua pr\u00f3pria Natureza, a sua exist\u00eancia. \u00c9 o caso, por exemplo, de um \u201cUnicornixistente\u201d: seja o Ser Ideal associado a este Termo o tal que engloba a ideal Natureza do Ser Ideal Unic\u00f3rnio e, simultaneamente, a ideal Natureza do Ser Ideal Exist\u00eancia. Ora, daqui n\u00e3o se segue que um \u201cUnicornixistente\u201d necessariamente existe em algum Objeto da Realidade, mas apenas que, se existisse, ent\u00e3o seria causa de si mesmo (visto conter na sua Natureza a Exist\u00eancia).<\/p>\n\n\n\n<p> Como uma segunda abordagem de tentativa de Conhecer pela via exclusiva da Raz\u00e3o Intuitiva, alguns fil\u00f3sofos, dos quais Descartes \u00e9 sem d\u00favida alguma o mais proeminente, procuraram afirmar Conhecer pelo simples facto de se aperceberem de que discorriam acerca dos seus pensamentos. Todavia, em primeiro lugar, parece-me evidente que a consciencializa\u00e7\u00e3o do pensamento por um sujeito, n\u00e3o constitui, de todo, algo obtido mediante Evid\u00eancia (8) obtida pela Raz\u00e3o Intuitiva, mas sim pela Experiencia\u00e7\u00e3o do Pensar (o que nos impediria de nomenclar este conhecimento como obtido via Intui\u00e7\u00e3o). De facto, se Descartes fosse coerente consigo mesmo e, portanto, com a sua aplica\u00e7\u00e3o de uma D\u00favida efetivamente Radical e Hiperb\u00f3lica (embora isto seja evidententemente imposs\u00edvel), ent\u00e3o jamais poderia considerar que ele pr\u00f3prio pensava (pois que, em verdade, numa fase inicial, haveria a ser\u00edssima possibilidade de estar a ser iludido por um G\u00e9nio Maligno) e, portanto, jamais poderia obter qualquer Evid\u00eancia que fosse, pois que toda a Evid\u00eancia pressup\u00f5e o pr\u00e9vio surgimento de algo ao esp\u00edrito (neste caso, pelos dados obtidos pela Experiencia\u00e7\u00e3o do Pensar), para que, posteriormente, possa ser interpretado como efetivamente Claro e Distinto, ou seja, como Evidente. Neste sentido, nada do que \u00e9 Evidente poder\u00e1 ser considerado, em situa\u00e7\u00e3o alguma, como obtido Intuitivamente. Em segundo lugar, desconsiderando tudo isto, parece-me ainda que a simples consciencializa\u00e7\u00e3o do pensar n\u00e3o permite, por si, constituir qualquer Conhecimento da exist\u00eancia do Eu. Este Conhecimento que se identificaria naturalmente ao Conhecimento do Eu, n\u00e3o adv\u00e9m, obviamente, da simples consciencializa\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea do moment\u00e2neo pensar (\u201cPenso&#8230;\u201d, diria Descartes&#8230;) visto que, se assim fosse (\u201c&#8230; Logo, [Eu] existo!\u201d, prosseguiria Descartes), ent\u00e3o implicaria que o Eu estaria limitado ao conte\u00fado instant\u00e2neo do pensar; o que impossibilitaria que o Eu se tratasse do algo que unifica temporalmente, espacialmente, e, neste sentido, ontologicamente, o nosso Objeto da Realidade e tudo o que \u00e9 a si subjacente (como os pensamentos); e, portanto, impossibilitaria que fosse de facto aquilo a que a generalidade do Senso Comum designa de Eu, o Ser Real Eu.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros, partindo desta, ou n\u00e3o, afirmaram a Raz\u00e3o Dedutiva e a Raz\u00e3o Indutiva como capazes de gerarem, isoladamente de outras Faculdades n\u00e3o Racionais, Conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, parece-me evidente que a Raz\u00e3o Indutiva, enquanto tomada no seu sentido empirista, isto \u00e9, de capacidade generalizadora, previsionista ou analogista, jamais conseguir\u00e1 gerar Conhecimento num dado Sujeito: quer porque, sozinha, n\u00e3o possui quaisquer premissas tais que lhe permitam inferir, pelos seus princ\u00edcios da L\u00f3gica Informal, conclus\u00f5es; quer porque, mesmo que as possu\u00edsse, jamais esta ter\u00e1 a capacidade de garantir a Verdade das Formula\u00e7\u00f5es que infere, na exata medida em que procede a essas infer\u00eancias baseando-se no H\u00e1bito (como, muito bem, nos evidencia David Hume) em vez de na efetiva Raz\u00e3o de Ser dos fen\u00f3menos e, portanto, dos acontecimentos da Realidade. Em segundo lugar, parece-me tamb\u00e9m evidente que quer a Raz\u00e3o Dedutiva como a Raz\u00e3o Indutivo-Abstrativa (tomada em sentido Aristot\u00e9lico), jamais ter\u00e3o a pot\u00eancia de, sem recurso a uma outra qualquer Faculdade que permita efetivo contacto com a Realidade e, neste sentido, que seja fonte de premissas, inferir, ora por via da Racional Necessidade, ora por via da Abstra\u00e7\u00e3o Racional, qualquer Formula\u00e7\u00e3o acerca do que um qualquer Objeto da Realidade realmente seja. Deste modo, temos que jamais ser\u00e1 poss\u00edvel, pelas Faculdades Racionais acess\u00edveis ao Sujeito Humano tomadas isoladamente, obter qualquer Formula\u00e7\u00e3o garantidamente Verdadeira acerca da Realidade. Por outro lado, no que concerne ao segundo grupo de fil\u00f3sofos inicialmente descrito, perante esta evidente impossibilidade de se constituir Conhecimento meramente por via da Raz\u00e3o, estes procuraram obt\u00ea-lo simplesmente recorrendo \u00e0&nbsp; Experi\u00eancia Sens\u00edvel (aos Sentidos) e, numa segunda fase, \u00e0 Sensibilidade em geral (o que engloba tamb\u00e9m as Emo\u00e7\u00f5es).<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, primeiramente, ao longo da Hist\u00f3ria da Filosofia nenhum fil\u00f3sofo procurou demonstrar de que modo, se \u00e9 que existe algum, \u00e9 que alguma destas Faculdades da Sensibilidade poderia, por si, fornecer uma garantia de que, de facto, as informa\u00e7\u00f5es que por elas nos chegam ao Intelecto s\u00e3o efetivas imagens da Realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>De facto, quem nos garante que, ao vermos um livro, efetivamente estamos diante de um efetivo Objeto da Realidade que realmente \u00e9 um livro? N\u00e3o haver\u00e1 a possibilidade de um G\u00e9nio Maligno nos iludir dando-nos a perce\u00e7\u00e3o de que estamos perante um livro, quando de facto n\u00e3o estamos? N\u00e3o haver\u00e1 a possibilidade de estarmos acorrentados a uma m\u00e1quina que nos ilude? Ou, de estarmos a presenciar meras sombras que n\u00e3o constituem de facto imagens un\u00edvocas da Realidade? H\u00e1 efetiva necessidade de explicita\u00e7\u00e3o, por algum Princ\u00edpio de Garantia de que as imagens obtidas pela Sensibilidade nos revelam a Realidade. Mas, haver\u00e1 algum? Esta \u00e9 uma pergunta que, infelizmente, nenhum fil\u00f3sofo empirista se dignou a responder seriamente, apelando sempre aos apertados limites da mera Raz\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, \u00e9 de notar que a garantia de que as imagens que recebemos pela Sensibilidade efetivamente nos revelam os Objetos da Realidade n\u00e3o constituiria por si s\u00f3 Conhecimento. Para isso, sendo o Conhecimento a ades\u00e3o de um Sujeito a uma Formula\u00e7\u00e3o do seu Intelecto que expressa algo que dada coisa realmente \u00e9, torna-se imprescind\u00edvel a apreens\u00e3o do que esses Objetos da Realidade experienciados realmente s\u00e3o. Para isso, tornar-se-\u00e1 sempre imprescind\u00edvel a Raz\u00e3o Indutivo-Abstrativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste \u00e2mbito, surgiu ainda um terceiro grupo de fil\u00f3sofos que procurou conciliar para fins de obten\u00e7\u00e3o de Conhecimento a Sensibilidade com a Raz\u00e3o. Destes, destacam- se Arist\u00f3teles, com o seu M\u00e9todo Indutivo-Abstrativo de apreens\u00e3o das Formas Substanciais das Subst\u00e2ncias; Immanuel Kant, com a sua Tese que referia o Conhecimento enquanto Colabora\u00e7\u00e3o entre a Sensibilidade e o Entendimento; e as Fenomenologias de diversos fil\u00f3sofos, como Edmund Husserl.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, e visto que, neste caso, pelo supracitado, as Faculdades Racionais nada poder\u00e3o Conhecer sem que a Sensibilidade forne\u00e7a imagem dos referentes Objetos da Realidade, conclui-se que nem mediante esta colabora\u00e7\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel o Conhecimento, sem que antes se apresente, primeiramente, efetivo Princ\u00edpio de Garantia de que as Imagens Sens\u00edveis expressam de facto os efetivos Objetos da Realidade. E, se tal n\u00e3o for poss\u00edvel, conclui-se que \u00e9 imposs\u00edvel o Conhecimento enquanto mera associa\u00e7\u00e3o das potencialidades das Faculdades Humanas da Raz\u00e3o e da Experi\u00eancia Sens\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, e se assim, for? Ora, se assim for, recai sobre n\u00f3s uma de duas possibilidades de resposta ao Problema apresentado: ou, em verdade, possu\u00edmos ainda pelo menos mais uma Faculdade que, isoladamente ou conjuntamente com as anteriores, nos permite de facto obter um Princ\u00edpio de Garantia tal que nos permita conhecer; ou, ent\u00e3o, estamos abandonados \u00e0 terr\u00edvel possibilidade de o Conhecimento n\u00e3o se encontrar de facto acess\u00edvel a n\u00f3s. Neste caso, o Nihilismo total e absoluto instalar-se-ia ao esp\u00edrito de todos os que sobre isto refletissem, o que colocaria em causa tudo inclusive, em \u00faltima an\u00e1lise, o sentido teleol\u00f3gico-ontol\u00f3gico para as nossas vidas, os preceitos \u00e9tico-morais inviol\u00e1veis, e, em \u00faltima an\u00e1lise, o Bem Comum das Sociedades&#8230; Em \u00faltima an\u00e1lise, e procurando fugir a todo o Falso Dilema, ou a Pessoa Humana seria reduzida \u00e0 sua Animalidade, ou seria o Fim, total. Eis, neste sentido, a extraordin\u00e1ria import\u00e2ncia Fundacional de se dar resposta definitiva ao Problema formulado no presente Ensaio.<\/p>\n\n\n\n<p>(8) Evid\u00eancia \u00e9 aqui empregue em sentido cartesiano (algo Claro e Distinto).<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>(continua&#8230;)<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"86\" src=\"https:\/\/erasmus-esl.pt\/BussolaEstudantil\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Tiago-Andrade-1-1024x86.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2368\" srcset=\"https:\/\/erasmus-esl.pt\/BussolaEstudantil\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Tiago-Andrade-1-1024x86.png 1024w, https:\/\/erasmus-esl.pt\/BussolaEstudantil\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Tiago-Andrade-1-300x25.png 300w, https:\/\/erasmus-esl.pt\/BussolaEstudantil\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Tiago-Andrade-1-768x64.png 768w, https:\/\/erasmus-esl.pt\/BussolaEstudantil\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Tiago-Andrade-1-1536x128.png 1536w, https:\/\/erasmus-esl.pt\/BussolaEstudantil\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Tiago-Andrade-1-2048x171.png 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div><p id=\"pvc_stats_2306\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"2306\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" src=\"https:\/\/erasmus-esl.pt\/BussolaEstudantil\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 \/><\/p><div class=\"pvc_clear\"><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Continua\u00e7\u00e3o de:https:\/\/erasmus-esl.pt\/BussolaEstudantil\/blog\/2024\/01\/12\/sera-possivel-conhecer\/ Neste caso, atendendo-se \u00e0 defini\u00e7\u00e3o de \u2018Conhecer\u2019 dada, o problema do presente Ensaio poderia, ent\u00e3o, tamb\u00e9m, ser explicitado pela seguinte Formula\u00e7\u00e3o: \u201c Ser\u00e1 poss\u00edvel o ato de ades\u00e3o de um sujeito a uma formula\u00e7\u00e3o do seu intelecto que expressa algo que dada coisa \u2018realmente\u2019 \u2018\u00e9\u2019 ? Uma vez apresentadas as referidas Formula\u00e7\u00f5es que [&hellip;]<\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n<p id=\"pvc_stats_2306\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"2306\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" src=\"https:\/\/erasmus-esl.pt\/BussolaEstudantil\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 \/><\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2372,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17,5,6],"tags":[],"class_list":["post-2306","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ensaio","category-nos","category-nos-por-ca"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/erasmus-esl.pt\/BussolaEstudantil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2306","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/erasmus-esl.pt\/BussolaEstudantil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/erasmus-esl.pt\/BussolaEstudantil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/erasmus-esl.pt\/BussolaEstudantil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/erasmus-esl.pt\/BussolaEstudantil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2306"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/erasmus-esl.pt\/BussolaEstudantil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2306\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2386,"href":"https:\/\/erasmus-esl.pt\/BussolaEstudantil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2306\/revisions\/2386"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/erasmus-esl.pt\/BussolaEstudantil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2372"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/erasmus-esl.pt\/BussolaEstudantil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2306"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/erasmus-esl.pt\/BussolaEstudantil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2306"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/erasmus-esl.pt\/BussolaEstudantil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2306"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}