{"id":2077,"date":"2023-06-05T10:47:21","date_gmt":"2023-06-05T10:47:21","guid":{"rendered":"https:\/\/erasmus-esl.pt\/BussolaEstudantil\/?p=2077"},"modified":"2023-11-13T18:10:51","modified_gmt":"2023-11-13T18:10:51","slug":"a-representacao-do-heroi-na-literatura-e-a-sua-importancia-na-atualidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/erasmus-esl.pt\/BussolaEstudantil\/blog\/2023\/06\/05\/a-representacao-do-heroi-na-literatura-e-a-sua-importancia-na-atualidade\/","title":{"rendered":"A representa\u00e7\u00e3o do her\u00f3i na literatura e a sua import\u00e2ncia na atualidade."},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"758\" src=\"https:\/\/erasmus-esl.pt\/BussolaEstudantil\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/A-viagem-do-Heroi-1024x758.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2189\" srcset=\"https:\/\/erasmus-esl.pt\/BussolaEstudantil\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/A-viagem-do-Heroi-1024x758.png 1024w, https:\/\/erasmus-esl.pt\/BussolaEstudantil\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/A-viagem-do-Heroi-300x222.png 300w, https:\/\/erasmus-esl.pt\/BussolaEstudantil\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/A-viagem-do-Heroi-768x568.png 768w, https:\/\/erasmus-esl.pt\/BussolaEstudantil\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/A-viagem-do-Heroi.png 1384w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A 13 de janeiro de 1982, o avi\u00e3o Boeing 737-222 partiu do Aeroporto Nacional de Washington para o Aeroporto Internacional de Hollywood. Come\u00e7ou, como de costume, por levantar voo, mas n\u00e3o atingiu altura suficiente e acabou por colidir contra uma ponte situada sobre o rio Potomac! Derrubou 4 carros, 1 trator e morreram 6 pessoas sobre a ponte. Dos 79 passageiros, 73 n\u00e3o sobreviveram a colis\u00e3o. O avi\u00e3o despistou-se sobre a ponte e atingiu o rio, quebrando as placas de gelo que se tinham formado por essa altura do ano, partindo-se ao meio. Na parte anterior do avi\u00e3o encontravam-se os 6 \u00faltimos sobreviventes. Estes tentaram, a todo o custo, escapar daquela pris\u00e3o met\u00e1lica, apenas para se verem rodeados de uma nova pris\u00e3o: \u00e1gua frigid\u00edssima e gelo que, a cada minuto que passava, lhes sugava, pouco a pouco, a vida\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto chegaram os socorros. Um helic\u00f3ptero come\u00e7ou por sobrevoar o rio e a distribuir uma corda que possu\u00eda uma boia na sua extremidade. No entanto, no meio de toda essa confus\u00e3o, houve um passageiro que se destacou: ele recebia a corda, mas em vez de colocar a boia \u00e0 volta da cintura, entregava-a ao passageiro ao lado. Repetiu isto 5 vezes. Recebia a boia e entregava-a ao passageiro ao lado. Os 5 cinco passageiros foram ent\u00e3o recuperados s\u00e3o e salvos, mas quando chegou a sua vez ele tinha sucumbido debaixo da superf\u00edcie de \u00e1gua, arrastado pelos tro\u00e7os do avi\u00e3o que, entretanto, se tinham afundado!<\/p>\n\n\n\n<p>Um verdadeiro her\u00f3i, n\u00e3o \u00e9 verdade? E \u00e9 sobre a representa\u00e7\u00e3o do her\u00f3i na literatura e a sua import\u00e2ncia na atualidade que falaremos hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>Se passarmos em revista todas as hist\u00f3rias que foram sendo criadas, desde que o ser humano inventou a linguagem at\u00e9 aos nossos tempos, vamos deparar-nos com um n\u00famero incont\u00e1vel de her\u00f3is. Possivelmente, o primeiro exemplo que nos vem \u00e0 cabe\u00e7a (e sem retirar o m\u00e9rito \u00e0 Helena) s\u00e3o os her\u00f3is da Antiguidade Cl\u00e1ssica. Quem nunca ouviu falar de H\u00e9rcules, Aquiles ou Ulisses. Esses her\u00f3is, apesar de apresentarem tra\u00e7os particulares, as suas personalidades reduzem-se \u00e0s mesmas virtudes: por um lado, a coragem, a virilidade e a bravura; por outro, a ternura, a compaix\u00e3o e os afetos. Mas hoje, a caracter\u00edstica do hero\u00edsmo que gostaria de sublinhar \u00e9 a capacidade de supera\u00e7\u00e3o. Por exemplo, na Antiguidade Cl\u00e1ssica havia dois mundos: o mundo dos mortais e o mundo dos deuses. E esses her\u00f3is representavam uma media\u00e7\u00e3o entre esses dois mundos. No entanto, para se revelarem dignos de ascenderem, tinham de ultrapassar determinados obst\u00e1culos.<\/p>\n\n\n\n<p>No que diz respeito a literatura ocidental, essa conce\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica do her\u00f3i \u00e9 um pouco desafiada por Cristo, por duas grandes raz\u00f5es: por um lado, Cristo possui uma representa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica; sabemos que ele existiu, o que o separa um pouco do mito greco-romano; por outro lado, Cristo abra\u00e7a um conjunto de valores heroicos e eleva-os a um expoente mais alto, como o sacrif\u00edcio e o amor, pr\u00f3prios da doutrina crist\u00e3. Deste modo, influencia v\u00e1rios s\u00e9culos de literatura, definindo o paradigma de her\u00f3i, especialmente durante a Idade M\u00e9dia. De qualquer modo, assistimos em Cristo, novamente, a capacidade de supera\u00e7\u00e3o. Possivelmente, o melhor exemplo que vos posso trazer \u00e9 de quando se encontrava no jardim de Gets\u00e9mani, com a crucifica\u00e7\u00e3o prestes a ocorrer, ponderando a possibilidade de escapar. O seu corpo encontrava-se humedecido por gotas de suor e sangue, destiladas perante o terror daquela morte cruel. No entanto, decide-se: <em>Pai, n\u00e3o seja feita a minha vontade, mas a tua<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>E ainda hoje quando nos depar\u00e1mos com as frases mais ic\u00f3nicas dos her\u00f3is da DC ou da Marvel, vemos novamente a tal ideia de supera\u00e7\u00e3o, de ir para al\u00e9m dos nossos limites, de ultrapassar os nossos obst\u00e1culos\u2026. \u00c9 o que vemos nas palavras do <em>Green Lantern<\/em>, quando diz: <em>Sim, eu tenho medo, mas isso n\u00e3o me vai derrubar!<\/em> Ou nas palavras da Mulher Maravilha<em>: Eu n\u00e3o sei onde estarei amanh\u00e3, mas sei que o amanh\u00e3 h\u00e1 de vir e vou erguer-me para o enfrentar!<\/em> A verdade \u00e9 que a conce\u00e7\u00e3o do her\u00f3i se move em torno da mesma ideia desde o princ\u00edpio da literatura.<\/p>\n\n\n\n<p>O acad\u00e9mico Joseph Campbell dedicou v\u00e1rios anos de estudo aos mitos e lendas de diferentes culturas e chegou precisamente a essa conclus\u00e3o. Todos os her\u00f3is percorrem uma s\u00f3 jornada. Todos partem de algum mundo ordin\u00e1rio, separam-se, ingressam um mundo especial no qual enfrentam perip\u00e9cias e obst\u00e1culos\u2026. Eventualmente arrecadam um tesouro e, se tudo correr bem, regressam ao mundo ordin\u00e1rio para o partilhar com os seus entes queridos. Se repararem, era essa a estrutura das nossas primeiras narrativas na prim\u00e1ria. Come\u00e7\u00e1vamos com: <em>Era uma vez um her\u00f3i que\u2026 <\/em>vivia no tal mundo ordin\u00e1rio. Depois, no primeiro par\u00e1grafo do desenvolvimento, ele separava-se e ingressava no mundo especial. Seguiam-se as perip\u00e9cias, o grande obst\u00e1culo e o tesouro. Na conclus\u00e3o, se tudo corresse bem, o nosso her\u00f3i regressava ao mundo ordin\u00e1rio para partilhar o tesouro com os seus familiares e amigos. \u00c9 essa jornada que vemos em hist\u00f3rias como <em>Harry Potter<\/em>, <em>The Hunger Games<\/em> ou <em>O Senhor dos An\u00e9is<\/em>. A verdade \u00e9 que essa jornada \u00e9 universal. E \u00e9 universal porque reflete o que h\u00e1 dentro de cada um de n\u00f3s. Cada um de n\u00f3s enfrenta as suas jornadas, passa por perip\u00e9cias e obst\u00e1culos, que exigem sacrif\u00edcios, sim\u2026 Mas sempre valem a pena, porque no final encontramos o tesouro que podemos partilhar com quem mais amamos. Os her\u00f3is da literatura percorrem todos a mesma jornada precisamente porque n\u00f3s, seres humanos, quando passamos do mundo real para a literatura, temos a tend\u00eancia em representar o que est\u00e1 dentro de n\u00f3s. Para concluir, permitam-me terminar do seguinte modo:<\/p>\n\n\n\n<p>Joseph Campbell disse que todos os her\u00f3is liter\u00e1rios s\u00e3o, na verdade, um s\u00f3, mas com v\u00e1rias faces. E eu vos pergunto: querem ser uma dessas faces?<\/p>\n\n\n\n<p>Autor: Eleazar Pereira, aluna da turma C do 12\u00ba ano<\/p>\n<div class=\"pvc_clear\"><\/div><p id=\"pvc_stats_2077\" class=\"pvc_stats all  \" data-element-id=\"2077\" style=\"\"><i class=\"pvc-stats-icon medium\" aria-hidden=\"true\"><svg aria-hidden=\"true\" focusable=\"false\" data-prefix=\"far\" data-icon=\"chart-bar\" role=\"img\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" viewBox=\"0 0 512 512\" class=\"svg-inline--fa fa-chart-bar fa-w-16 fa-2x\"><path fill=\"currentColor\" d=\"M396.8 352h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V108.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v230.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm-192 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V140.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v198.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zm96 0h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8V204.8c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v134.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8zM496 400H48V80c0-8.84-7.16-16-16-16H16C7.16 64 0 71.16 0 80v336c0 17.67 14.33 32 32 32h464c8.84 0 16-7.16 16-16v-16c0-8.84-7.16-16-16-16zm-387.2-48h22.4c6.4 0 12.8-6.4 12.8-12.8v-70.4c0-6.4-6.4-12.8-12.8-12.8h-22.4c-6.4 0-12.8 6.4-12.8 12.8v70.4c0 6.4 6.4 12.8 12.8 12.8z\" class=\"\"><\/path><\/svg><\/i> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"16\" height=\"16\" alt=\"Loading\" src=\"https:\/\/erasmus-esl.pt\/BussolaEstudantil\/wp-content\/plugins\/page-views-count\/ajax-loader-2x.gif\" border=0 \/><\/p><div class=\"pvc_clear\"><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A 13 de janeiro de 1982, o avi\u00e3o Boeing 737-222 partiu do Aeroporto Nacional de Washington para o Aeroporto Internacional de Hollywood. 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